terça-feira, 26 de junho de 2012

História

  Rituais nos Festejos Juninos
                 Graça, Maria e Andreza (Afilhadas de Fogueira)

     Quando os portugueses iniciaram o empreendimento colonial no Brasil, a partir de 1500, as festas de São João eram ainda o centro das comemorações de junho. Alguns cronistas contam que os jesuítas acendiam fogueiras e tochas em junho, provocando grande atração sobre os indígenas. Houve, portanto, certa coincidência entre o propósito católico de atrair os índios ao convívio missionário catequético e as práticas rituais indígenas, simbolizadas pelas fogueiras de São João. Talvez seja por causa disso que os festejos juninos tenham tomado às proporções e a importância que adquiriram no calendário das festas brasileiras. As relações familiares eram complementadas pela instituição do compadrio, que servia para integrar outras pessoas à família, estreitando assim os laços entre vizinhos e entre patrões e empregados. Até mesmo os escravos podiam ser apadrinhados pelos senhores de terra.  Havia duas formas principais de tornar-se compadre e comadre, padrinho e madrinha: uma era, e ainda é através do batismo; a outra, através da fogueira. Nas festas de São João, os homens, principalmente, formavam duplas de compadres de fogueira: ficava um de cada lado da fogueira e deveriam pular as brasas dando-se as mãos em sentido cruzado. Os laços de compadrio eram muito importantes, pois os padrinhos podiam substituir os pais na ausência ou na morte destes, os compadres integravam grupos de cooperação no trabalho agrícola e os afilhados eram devedores de obrigações para com os padrinhos. A instituição beneficiava os patrões, que tinham um séquito de compadres e afilhados leais tanto nas relações de trabalho como nas campanhas políticas, quando se beneficiavam do voto de cabresto. Hoje as festas juninas possuem cor e local. De acordo com a região do país, variam os tipos de danças, indumentárias e comidas. A tônica é a fogueira, o foguetório, o milho, a pinga, o mastro e as rezas dos santos. No Nordeste sertanejo, o São João é comemorado nos sítios, nas paróquias, nos arraiais, nas casas e nas cidades. A importância dessa festa pode ser avaliada pelo número de nordestinos e turistas que escolhem essa época do ano para sair de férias e participar dos festejos juninos. Na Amazônia cabocla, a tradição de homenagear os santos possui um calendário que tem início em junho, com Santo Antônio, e termina em dezembro, com São Benedito. Cada comunidade homenageia seus santos preferidos e padroeiros, com destaque para os santos juninos. São festas de arraial que começam no 10° dia depois das novenas e nas quais estão as fogueiras, o foguetório, o mastro, os banhos, muita comida e folia.
Org. e Pesq.: Antonio Barbosa
Fotos: Antonio

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